sábado, 18 de novembro de 2017

achamento

“…cuando abrimos los ojos, ellos tenían la tierra y nosotros teníamos la Biblia…”
EG




"El descubrimiento


En 1492, los nativos descubrieron que eran indios,
descubrieron que vivían en América,
descubrieron que estaban desnudos,
descubrieron que existía el pecado,
descubrieron que debían obediencia a un rey y a una reina de otro mundo y a un dios de otro cielo,
y que ese dios había inventado la culpa y el vestido
y había mandado que fuera quemado vivo quien adorara al sol y a la luna y a la tierra y a la lluvia que la moja."
Eduardo Galeano “Los hijos de los días” Ed. Siglo XXI de España Editores – 2012©I ISBN 978-84-323-1627-2

......

"só sei que nada sei"
confúcio
.......

*achamento*

a descoberta
aos olhares
coberta

do que estava
além-mar
e meta

antes sonho
(ou visão) e 
fim medonho

caravelas 
cegas
de vento e velas

e terras
povos
e guerras

e a religião
arma
da expansão

da conquista
e da escravidão

há quem veja
civilização...

ainda 
como outros
sem pedirem perdão.

LuísM Castanheira

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

novembro_16



BENJAMIN THOMAS KENNINGTON   

*ao meu amor*

em lugar da flor
o beijo
em lugar do sonho
o desejo
e um sorriso
por inteiro
como se este dia
fosse todo nosso
outro
novamente.

aquele outono
era igual
no calor dos corpos
e no sentimento
a espreitar.

e o mar presente
no teu olhar
despertada paixão
que se fez lar.

(hoje não voltarei ao guincho
para ver o sol guardado do passado... 
mas volto a ti.)







quinta-feira, 9 de novembro de 2017

as horas redondas


ouves a minha voz?
ouves o cantar dos pássaros
nas árvores despidas?
ouves os teus sonhos adormecidos
nas noites sem corpo?
ouves os ribeiros sem cascatas
na secura dos desejos?
ouves o soprar do vento agreste
na pele crispada?
ouves o bater do mar agitado
a cantar tristezas?
ouves o trovão do desespero
a anunciar a desilusão?
ouves as folhas secas pisadas
dos meus passos?

não há aqui nada para alguém 
como eu
a não seres tu
meu meigo e maravilhoso amor...

que dizer da poesia
na manhã inocente
deste dia?

que o sol brilha e
a claridade do olhar
é reflexo da utopia?

- ah, !!!

a chuva seria 
poema
em gotas de alegria

e por tudo
compaixão e companhia

do mais
tudo é secundário.


sábado, 4 de novembro de 2017

horizontes

vejo em cada poema
uma pena
dum pássaro que voa
o destino

e o céu abre-se azul

do ninho, o horizonte
estende o sonho
de quem aprende a asa
do poeta.

(dedicado aos poetas que leio)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

viagem no sofá


Lágrima 

cálida
caída
salgada
sentida
amor
pudor
furor
raiva  
suor
ciúme
em alto cume.


Paz

quem a faz?

- tu saberás?

Regaço

abraço
cansaço
beijo
desejo
sinto-o e 
vejo-o.


O mar

olhar
parar
ver e
 reter
a cor
no sol
a pôr.




Eu

dia
harmonia 
coração
nesta canção
melodia
escrita
à mão
como um trovão
raio de luz
na escuridão.


Mão

a minha
então
carícia
oh ...!
que delícia
no rosto
quase posto
ao luar
hoje a
encantar
o teu sorriso
riso
a alegrar
o meu calar.


Poema

no teu olhar
tema
(faz-me pensar)
a gema
a cristalizar
nas asas
brancas das
casas e
voo
a planar
quase pássaro
à janela
a entrar.
...
- vem ...!
....
aqui
além
pousar
flor de mel
pincel
quadro a granel
tintas
(estou-me nas tintas)
fintas
não mintas
és verdade
nesta cidade
mas ficas 
na saudade
da tarde
tempos
curtos 
momentos
outros de ventos
fortes 
intensos e
foram 
imensos.


Melodia

quem diria?
bela
com vela
a navegar
chama
que clama
na escuridão
da tua mão
perdão…
do teu chão.


Oh minha musa

e tão confusa ...
inspiração
de pé p’ra mão.


Abrigo

doce amigo
contigo
livre 
de perigo
porto sentido
como tens sido.


A travessia

sabedoria
hoje
há quem não foge
tudo é alforge
onde carrega
toda a refrega.


Peregrinação

nessa paixão
ir ao caminho
partir
pisar carinho
passo certinho
laço
vida e espaço
lado a lado
o nosso fado.


E a flor

sob o calor
meiga de amor
beleza  
cor e odor
que vê passar
quase a rasar
dois seres a par
beijando o ar.


Ecoam sons

dentro dos tons
e tu repetes
toque a trompetes
aos meus ouvidos
sentidos
as emoções
nestes serões
a levitar
o quanto é amar.

- preso ao sofá
que bem se está!


LM_11.fev.2014

(revisto e reeditado)