quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

a gota...

  • foto by luísm



abracei uma gota cristalina
sem tempo e sem medida
sem forma ou distância
corpo-matéria na tabela dos sentidos.
era dezembro a amanhecer
da serra em brumas a perder
e, no entanto, era preciso...
era preciso cantar.

é este delírio, este espanto
este sentir e não tanto...
este querer e me perder
no horizonte sem me haver.

é a manhã a descer
entre sombras por nascer
uma luz que se advinha
sem que a possa chamar minha.

e, no entanto, abraço a gota
cristalina, pura e tão fina
mais parece um olhar
que a teu corpo quer chegar.

e, este mar, agitado sem chegar
não invade o silêncio a marcar.

só as flores repousadas na jarra
dão comunhão na existência
duma qualquer razão.

lm_28.12.2017

5 comentários:

  1. há gotas assim, com vocação de mar

    belo poema, meu amigo Luis Castanheira

    votos de Bom Ano!

    caloroso abraço

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  2. Melódico e bem escrito
    quase que apetece cantar
    grata pela visitas ao longo do ano pelos meus espaços
    que 2018 seja cheio de saúde e muita inspiração
    feliz ano novo
    bom fim de semana.
    beijinhos
    :)

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  3. Uma gota pode tanto, tem tanto em si mesma, e deixa transparecer tanto de si mesma.
    Espelho que reflecte um olhar, a alma, um desejo; e, no entanto, é apenas uma pequena e cristalina gota. atrevo-me eu a dizer: uma gota de sonho...

    Querido Amigo, Luís, que o 2018 lhe traga tudo o que deseja, e que possamos continuar a partilhar palavras impregnadas de vida e magia.

    Feliz Ano Novo.
    Beijo de luar

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  4. As gotas do orvalho são aquelas que nos entram pelos poemas e se confundem com tudo o que queremos. Gostei do poema.
    Um beijo e desejos de um Ano Bom.

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